E hoje
O que te parece fazer?
Falar sobre profundidade da poesia
E a forma como encaixamos
Sílaba à sílaba
Como se fosse uma tremenda histeria
Essas palavras, loucas
Duas bocas
Que não prestam atenção
Ao subjacente desejo
Ao impacto do coração
Ao ensejo de um beijo
Prestes a acontecer
Desígnios de um destino
Escrito, transcrito
Por línguas desconhecidas
Ousadas, transtornadas
Pronunciadas por lábios canais
Leviandades ancestrais
Corpos que à noite se despiam
Resplandecendo nas estrelas
Enfeitiçados pela lua
E a alma, essa continua nua
Esperando as interjeições certas
Palavras ao vento
Entrelaçadas, cruzadas
Que heresia
Acreditar que falávamos de poesia
